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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Lua Negra - Livro

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domingo, 4 de dezembro de 2011

Livros Online

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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Lua Negra

Primeiro Capítulo de Lua Negra, de Laura Elias


O loiro alto olhou interessado para a mulher à sua frente. Ela já não era jovem, mas era extremamente bela. E pela maneira como o abordou, tinha tanto caráter quanto ele, que não tinha nenhum.
O homem lhe acenava com a liberdade, com a possibilidade de vingar um ódio antigo, em troca de alguns favores. Ela estava disposta a negociar, ele sempre aberto a negociações
Ela era louca, ele um psicopata. Os dois eram perfeitos um para o outro.
Ele colocou seu preço, ela pediu alguns dias para pensar.
Logan, no entanto, não era idiota. Sabia que ao aceitar aquele acordo estaria empenhando muito mais do que a possibilidade de ser capturado e preso: seu pescoço estava em jogo.
Ela era muito perigosa e contava com um sobrenome de peso.
Ele tinha apenas um carma ruim.
Alguns dias depois a mulher voltou com a resposta: aceitaria as exigências se ele concordasse em entregar-lhe Megan Grey com vida. Ela mesma queria matá-la da maneira mais lenta e dolorosa possível. Quanto ao irmão de Logan, Sebastian, ela o localizara no Ártico, vivendo entre os agura.
Ah, sim! Ao contrário do que todos pensavam, os agura existiam e continuavam tão selvagens quanto sempre se acreditou que fossem.
Por que aquela mulher tinha tanto interesse em matar uma humana, ele não conseguia entender. Assim como não entendia por que ela mesma não a capturava, mas imaginou que fosse algo ligado ao peso de sua família: os Blackwell não gostavam de sujar as mãos.
Ele foi solto e enviado ao Canadá de avião, viajando de primeira classe em meio a humanos endinheirados como se fosse um deles.
O restante do trajeto fez a pé, exercitando os músculos há tanto tempo parados.
Encontrou seu irmão vivendo como um selvagem em meio à neve, cercado por aquele povo asqueroso e bruto como se estivesse no Paraíso. Não foi difícil convencê-lo a partir. O difícil foi sair de lá sem um exército de aguras atrás deles.
Os selvagens demoraram algum tempo para perceber que Sebastian sumira e, quando se deram conta, partiram em seu encalço. O resultado disso foi o pior inverno que os humanos já haviam presenciado. Logan sabia que eles eventualmente acabariam por encontrar seu irmão e, quando isso acontecesse, Megan Grey já estaria morta há muito tempo...




Até que demorou a acontecer, se alguém parar para pensar. Os sinais estavam todos ali há semanas. Mas eu não queria vê-los...

CAPÍTULO I – MEDO DO
ESCURO.


Have you run your fingers down the wall
And have you felt your neck skin crawl
When you're searching for the light?
Sometimes when you're scared to take a look
At the corner of the room
You've sensed that something's watching you
(Fear of the Dark – Iron Maiden)

Nevava pesado há mais de uma semana. Os ventos estavam mais gelados do que o habitual em nossos invernos. Todos os dias, acordávamos com as máquinas da prefeitura limpando as ruas, suas pás gigantes raspando e afastando a neve das calçadas.
Em Red Leaves não havia aquecimento global, havia congelamento global. Tudo estava branco e embora paisagens nevadas possam parecer atraentes para quem vive em lugares ensolarados, garanto que não havia nada de atraente em caminhar com neve até os joelhos, ter o motor dos carros congelado e viver sob a ameaça de falta de energia.
O aquecedor de nossa casa, um modelo antigo e nada ecológico movido a óleo, trabalhava com força total. Mesmo assim temíamos que a energia faltasse a qualquer momento. Já era um milagre ainda não ter acontecido.
O inverno estava sendo um tormento para todos: há uma semana meu pai não dormia em casa, pois era impossível viajar de Green Falls até Red Leaves em segurança. Ou seja, ele estava temporariamente instalado na casa de Joyce, minha avó materna.
Minha mãe andava com os nervos à flor da pele, preocupada que eu tivesse uma recaída após meu estranho acidente.
Fred, como sempre, estava insuportável, correndo para cima e para baixo, criando caso por qualquer coisa.
E o pior, muito pior do que tudo: eu e Bill não podíamos nos ver.
Claro que a neve não era problema para ele, mas como explicar à minha mãe que só Bill conseguira se deslocar em meio às nevascas quando ninguém mais era capaz disso? E ele estava de viagem marcada para Los Angeles dentro de dois dias, onde a banda faria uma apresentação num show beneficente em prol das vítimas de uma catástrofe. Dessa vez eu não poderia acompanhá-lo: eu tinha aulas. Nunca odiei tanto ter 17 anos!
Como se não bastasse, precisava voltar a ver o Dr. Strideus. O remédio que ele me dera estava terminando.
Enfim, meu começo de ano, que havia sido um sonho, se transformara em um pesadelo irritante.
Uma semana antes de terminar janeiro, a energia elétrica finalmente acabou. Por volta das sete da noite, quando nos preparávamos para jantar, o mundo mergulhou nas trevas. Todas as luzes da cidade se foram, silenciando rádios e TVs. A escuridão deixou no ar apenas o som do vento que assobiava uma canção mórbida e sem vida.
Foram apenas alguns segundos de silêncio antes que as pessoas começassem a procurar velas e lanternas, a telefonar para a central de energia em busca de informação, mas os segundos foram agourentos. Estranhos. Dando a sensação de que precediam uma catástrofe.
Quando as luzes se apagaram, Fred estava sentado na mesa, minha mãe tinha uma tigela de purê de batata nas mãos e eu vinha entrando na cozinha.
O primeiro som que ouvi foi o grito dela. O segundo, da tigela se espatifando no chão. Tudo isso em segundos que demoraram milênios. Segundos que me fizeram dar conta de que eu enxergava perfeitamente, embora não houvesse luz alguma. Eu via na escuridão! Isso pode parecer incrível, mas me apavorou até os ossos.
Como eu podia estar vendo tudo com tanta clareza? Olhei para Fred e para minha mãe sem conseguir raciocinar direito.
– Que foi? – gritei para Fred, assustada.
– Seus olhos! SEUS OLHOS! – ele gritou de volta.
Estávamos todos falando aos berros, apavorados.
– Mãe! – gritei quando a vi tentando se amparar na mesa antes de desmaiar.
– MONSTRO! – berrou Fred na minha cara.
Com uma agilidade que com toda a certeza deste mundo eu não possuía, saltei sobre a mesa e por cima de Fred em direção à minha mãe. Para piorar, o som da porta da frente sendo aberta com violência me fez rosnar alto, de forma pavorosa, e saltar para longe da mesa. De relance, vi meu irmão gritar e se esconder apavorado.
Eu me virei depressa e percebi os quatro homens imóveis, me olhando como fantasmas.
Eles eram enormes.
Apesar de minha visão noturna ser perfeita, era impossível distingui-los com clareza. Eles não emitiam som algum. Sequer pareciam respirar.
– Bill? – perguntei ofegante, tentando me agarrar a um fio de esperança que não existia. Rápido como um raio, um pensamento passou por minha mente e me congelou de pavor: vampiros!
Nós estávamos sendo atacados por vampiros!
Desesperada, tentei alcançar Bill por telepatia. Apavorada, me foi impossível coordenar os pensamentos concentrar-me em qualquer coisa que não fosse o medo daqueles predadores. O que fazer?!
Um deles deu um passo em minha direção e eu urrei instintivamente, parada em posição de ataque. Esperava intimidá-los para que se afastassem dali, mas não foi o que aconteceu. O vampiro caminhou em minha direção com passos suaves, como se deslizasse pelo chão ao invés de andar.
Os outros três se aproximaram de Fred e de minha mãe, que continuava desmaiada no chão.
– Leve todos – disse o homem que se aproximava de mim. Sua voz era sonora e agradável.
Uma voz forte, que eu conhecia... Mas conhecia de onde? E por que eu era incapaz de vê-los com clareza quando tudo o mais estava nítido diante de mim?
Em um último gesto de desespero, tentando proteger minha família, saltei sobre o desconhecido, sentindo que possuía garras nas mãos e que elas estavam expostas como lâminas de aço. Com extrema agilidade e rapidez ele se desviou e, com um movimento preciso, me dominou.
Agora seu rosto estava a alguns centímetros do meu, e mesmo assim eu não conseguia vê-lo com nitidez.
– Calma, Megan! – sua voz era imperativa.
Eu estremeci.
Aquela voz! Aquela era a voz em meus sonhos! Mas como era possível se a voz em meus sonhos era a voz de Bill?
Esforcei-me para apurar ainda mais meus sentidos, mas era inútil tentar ver seu rosto ou sentir seu cheiro. A única coisa que percebi antes de apagar foi uma grossa trança dourada caindo sobre seu ombro...

Abri os olhos em um lugar frio e escuro, sentindo algo áspero em minha pele. Demorei vários segundos para perceber que minha cabeça estava coberta e por isso eu não enxergava. Minha boca estava seca, com gosto de ferrugem, como se eu tivesse chupado um prego velho.
Lentamente me ergui e o pano grosso que envolvia meu corpo caiu ao chão. Eu estava nua! Nua em um lugar completamente deserto e coberto de neve, sob um céu negro e carregado, sentindo o vento congelante açoitar meu corpo.
Rapidamente me enrolei no velho cobertor. Estava tão apavorada que nem lembrei que minha visão clara e instintos aguçados poderiam me tirar dali. Então, pensei em minha mãe e irmão e o pânico descontrolado se instalou de vez.
Fiquei desesperada e comecei a gritar por socorro, sem realmente acreditar que alguém fosse me ouvir. Berrar pedindo ajuda, ouvindo o som de minha voz ser carregada pelo vento feroz.
Aqueles momentos foram os piores da minha vida. Nem quando achei que o vampiro fosse me matar senti tanto medo. O que mais me apavorava era o fato de eu estar completamente sozinha no meio de um nada congelado. Ao menos quando pensei que ia morrer, Simon estava comigo e eu ouvia Bill telepaticamente. Agora, não. Agora eu estava só e não possuía força, ou coragem suficiente, para sair dali.
Eu era só uma garota de 17 anos, metida em uma encrenca maior que eu Em velocidade astronômica, me culpei por ter me envolvido com rovdyrs e mais ainda por amar um deles. Afirmei que ia morrer; que era bem feito por eu ser tão imbecil. Desesperei-me novamente por minha família, pensei em Bill, Simon, Sarah, Alice, no colégio e na tigela de purê de batatas espatifada no chão. Pensamentos desconexos, atravessando meu cérebro, me apavorando ainda mais. Não havia mais esperanças para mim, eu ia morrer ali, congelada e sozinha, sem nunca saber como a história de minha vida iria terminar. Eu estava fechando o livro logo nos primeiros capítulos.
Começava a entregar minha alma ao Universo, quando tive a impressão de ouvir algo se mover ali perto. Foi mais uma impressão de movimento do que propriamente um som, e eu recomecei a gritar por socorro com todas as forças do meu ser.
E então, quando tive certeza absoluta de que não havia ninguém além de mim na vastidão gelada, que meu destino estava selado, o milagre aconteceu.
– Megan!
O som veio de longe, mas foi o bastante para fazer meu coração pular e reacender minhas esperanças. Continuei gritando e gritando até que vi a figura delicada e imponente de Pops surgir à minha frente.
Eu estava salva! Não morrera no acostamento da estrada, não morrera nas garras de um vampiro e também não morreria congelada no meio da neve! Mais uma vez a sorte estava do meu lado.
– Megan! Pensei que jamais iria encontrá-la!
Eu a olhei com curiosidade. Pops estava me procurando? Como ela sabia que eu estava perdida?
– Bill me mataria se eu não a encontrasse. Ele mal chegou à L.A. e já queria voltar!
Bill estava em Los Angeles? Como assim? Há quanto tempo eu havia desaparecido?
Eu me joguei nos braços de Pops, chorando de alívio e pavor. O cobertor escorregou
e ela recuou, assustada.
– Meu Deus, Megan, o que houve com você? Que marcas são essas?
Balancei a cabeça e a abracei. Ela entendeu que eu não fazia idéia do que havia ocorrido.
– Venha. Vou tirar você daqui. Segure-se, OK?
Assenti com a cabeça e Pops saiu a toda velocidade pela floresta branca, zunindo entre as árvores que eram meros espectros retorcidos de suas versões verdejantes. Toda a vida fora substituída pela aridez gelada do ciclo estéril do inverno. Eu temia que o mesmo acontecesse comigo.

***

Hanzi Mare é meu nome. Os mais próximos me chamam Hans. Os que me seguem acreditam que seja o rei de todos eles. Entretanto, jamais fui ou serei um rei. Não na verdadeira acepção do termo.
Não possuo terras ou trono, não comando a economia ou o bem estar social de uma nação. O que faço, e talvez daí venha a analogia, é comandar uma legião de seres hostilizados e perseguidos, que se infiltram, existem e habitam as sombras do mundo.
O termo “legião” se aplica de forma perfeita a nós, os vampiros.
Somos mito e somos lenda, mas não existimos apenas porque os humanos são supersticiosos. Somos reais.
Muitos dizem que vampiros não passam de uma alegoria inventada para falar de sexo quando o assunto era tabu entre os homens. Outros, que personificamos qualidades que as humanas desejam em seus pares. Há ainda aqueles que, em um delírio criativo, atribuem nossa origem a Caim, o primeiro assassino registrado na Bíblia.
É dos humanos a prerrogativa de contar suas histórias como desejam, eles são a raça dominante do planeta. Uma raça implacável, que destrói e aniquila como se estivesse acima do Bem e do Mal.
Já vivemos o suficiente para compreender que a arrogância é sempre derrubada pela vida, em algum momento transformada em sabedoria e equilíbrio. Um dia, os humanos também aprenderão.
Minha história começou há muito tempo e não pretendo contá-la agora, mas quero dizer que por séculos persigo um objetivo. Nessa perseguição, adquiri seguidores que se multiplicam a cada dia. A nação dos vampiros adquiriu um objetivo que a uniu quase que integralmente.
Alguns, entretanto, não concordam com meus métodos de ação e preferem abraçar uma natureza bestial e assassina. Foi o caso de Axs, o vampiro que raptou, torturou e quase matou Simon Blackwell e Megan Grey. Não tivesse Bill Stone e seu grupo chegado a tempo, nós iríamos intervir e destruir Axs. Mas eu conheço Bill. Ele não deixaria sua amada morrer. Não outra vez. Porém, não é de Bill que quero falar, mas de Megan.
Tão jovem e linda, dona de olhos puros, de uma alma generosa, ela carrega consigo a chave de nossa existência. Há séculos esperamos por ela. Eu demorei tanto a compreender isso! E quando compreendi, cometi inúmeros enganos, tão ávido que estava por encontrá-la.
Soubemos de seu nascimento por meio de Destiny, cujos poderes vão além do que nos é dado compreender. Ela é o que os humanos chamam de “sensitiva”, os supersticiosos de “bruxa” e nós de “luminosa”, já que entre nós a luz é algo precioso e almejado.
Destiny, entretanto, não conseguia nos dizer em que ponto do planeta a menina nascera e eu logo percebi que nada do que eu pudesse lembrar, me ajudaria a encontrá-la. Decidi que o mais sensato seria deixar Bill encontrá-la, Sabia que ele reviraria céus e terras para ter sua amada outra vez. Também para ele foi uma busca de anos, com muitos enganos cometidos, inclusive confundindo Megan com Joyce.
Eu a vi pela primeira vez em um estacionamento no meio do mato, cercada por marginais. Cheguei a pensar que seria interessante aparecer naquele momento e salvá-la, mas a presença de Pops me inibiu.
Sabia que ela estava ali procurando por Christian, o filho de Lizandra Blackwell, e ouvi quando chamou Bill para que ele fizesse sua entrada triunfal.
Meu sangue ferveu e senti meu coração se enegrecer ao vê-lo. Queria matá-lo ali, na presença dela e contar-lhe toda a verdade. Absurdo!. Megan não estava preparada para ver e ouvir os horrores que nosso passado encerra. Ela precisava acreditar que Bill era o herói de sua história, precisava conhecer mais, saber mais, antes que a verdade fosse revelada.
Desde então não deixei de segui-la ou a sua família, sempre pronto a intervir, sempre esperando que o momento surgisse. A espera é torturante quando sabemos que o desfecho de algo grave se aproxima.
Eu contava os dias, até que a ajuda veio de forma inesperada e me colocou frente a frente com aquela em cujas mãos reside o destino de todos nós...
Hans
* * *

Eu não fazia idéia de onde estávamos. Pops me colocou no carro e saiu a toda pela estrada escorregadia, dirigindo de uma forma que me fez pensar por que ela me salvara se pretendia nos matar em um acidente. Do que eu já havia visto de rovdyrs, todos tinham fixação por velocidade e perigo. Apenas fechei os olhos e relaxei.
O calor do carro me fez bem, embora eu continuasse agarrada ao cobertor. Sentia uma necessidade sobre-humana de me agarrar a algo e, naquele momento, o cobertor era o bem mais precioso que eu tinha. Lentamente meu corpo começou a se aquecer e só então percebi que havia musica no ar. Pops estava ouvindo Lady Gaga no último volume e as palavras voavam dentro do carro, reverberando em meus ouvidos e em meu coração: I want you ugly, I want your disease, I want your everything...
Olhei para ela de modo estranho e Pops respondeu sem se virar:
– Gosto dessa música. Cheia de drama, intensidade, paixão.
– Ah.. – respondi com voz sumida, sem condições de falar. Meus olhos pesavam e meu corpo, agora já sem adrenalina, doía horrivelmente. Tudo que consegui fazer foi me encolher e deixar o cansaço tomar conta.
Acordei muitas horas depois, banhada e limpa, entre os lençóis perfumados no quarto de hóspedes, da mansão de Bill. O Dr. Strideus me olhava fixamente:
– Como se sente? –perguntou enquanto tomava meu pulso.
– Bem... acho. Minha família está aqui?
– Não, Megan. Sua mãe e irmão continuam em Red Leaves. Estão bem, não se preocupe.
– O que aconteceu, Dr. Strideus? Não entendo--
– Olá, Megan. Que bom vê-la acordada – exclamou Pops entrando no quarto. – Ela está bem, doutor?
– Pelo que tudo indica, sim.
– Eu estou ótima! – exclamei. – Obrigada por me encontrar antes que eu congelasse naquele lugar.
– Não fui eu quem a encontrou, Megan. Já contou a ela, Strideus?
– Contar o quê? – perguntei, sentindo o coração disparar. O que havia acontecido comigo, afinal?
– Ela acabou de acordar – respondeu o médico.
Pops me encarou e suspirou profundamente.
Sua expressão era séria e só podia significar que más notícias estavam a caminho.
Olhei para ela por alguns segundos e decidi comentar sobre as estranhas mudanças que estavam acontecendo comigo.
– Eu... eu tenho sentido umas coisas esquisitas desde que Bill... Desde que o sangue de Bill...
– Que coisas esquisitas? – perguntou ela.
– Eu... bom... às vezes, eu rosno. E salto e urro. E vivo bebendo água gelada e quase não como mais...
– Como?! – Pops arregalou os olhos e se virou para o doutor. – Você sabia disso, Strideus?
– Sim. Desde o Natal venho dando a ela uma medicação para diminuir os sintomas.
– E não falou nada? Bill está sabendo?
– Não! – respondi assustada. – Eu não quero que ele saiba, Pops! Bill é todo encanado que o sangue dele pode ter me feito mal e--
– Você é louca! Mas suponho que deva ser para conviver conosco. Qualquer um em sã consciência já teria sumido há muito tempo. Bem, sinto dizer, mas você está se transformando em um animal. Sabe ao menos qual é?
Meus olhos se encheram de lágrimas. Como Pops ousava verbalizar aquilo que eu sequer sonhava em admitir para mim mesma?
– Não... – respondi com voz trêmula.
– Muito bem. Depois de adormecer em meu carro, você balbuciou frases desconexas sobre quatro homens terem aparecido em sua casa. Isso aconteceu realmente?
– Sim. Faltou energia... as luzes se apagaram e de repente minha mãe desmaiou. Alguém arrebentou a porta... e eu vi quatro homens muito altos na entrada da cozinha. Um deles se aproximou de mim. Saltei sobre ele sentindo garras saírem de minhas mãos, mas o homem foi mais rápido e me dominou. Não vi o rosto de nenhum... eles levaram minha mãe e meu irmão!
Novamente tive a incômoda sensação de que não estava me lembrando de algo importante.
– Algo mais? – Pops perguntou, intrigada.
– Não... A próxima coisa de que me lembro é ter acordado onde você me encontrou. Tem ideia de quem eram aqueles caras?
– Vampiros – ela respondeu sem hesitar. – Bem, agora é minha vez de falar.
Pops tomou fôlego, mas o telefone tocou. Strideus atendeu e o entregou a mim.
– É Bill – ele disse, com voz indiferente.
Senti lagrimas se juntarem em meus olhos e rolarem pelo rosto.
– Bill!
– Megan, como é bom ouvir sua voz! Você está bem?
– S-sim – respondi e caí no choro sem conseguir me controlar.
Pops e Strideus saíram do quarto e só voltaram quando a conversa terminou. Ouvir Bill refez minhas forças e deu nova vida à minha alma.
Ele queria saber como eu estava, como estava minha família e disse que me amava e que voltaria assim que terminasse a apresentação em L.A. Ficamos namorando no telefone por algum tempo, mas senti muita preocupação em sua voz. Ele disse que era impressão minha. Bill sempre procurava me poupar de tudo, tentando me proteger daquilo para o qual não havia proteção: o destino.
Pops retomou nossa conversa como se não tivesse sido interrompida.
– A falta de energia que pegou vocês de surpresa foi causada por uma avalanche a alguns quilômetros de Red Leaves. Várias linhas de transmissão ficaram soterradas, inclusive torres de telefonia celular. Nesse meio tempo, conseguimos um vôo até Nova York e de lá para L.A. Bill tentou falar com você, mas não conseguiu.
Ela fez uma pausa. Oh-oh - eu pensei. Lá vem bomba:
– Só que enquanto Bill voava para Nova York, outro fenômeno aconteceu – Pops continuou. – Uma tremenda quantidade de neve caiu sobre o rio e acabou provocando uma enxurrada de lama que atingiu diretamente Red Leaves.
– Meu Deus! Minha casa... meus pais--?
– Infelizmente sua rua foi uma das mais atingidas, mas não houve vítimas.
O tempo parou em minha cabeça. Não era a primeira vez que algo assim acontecia em Red Leaves, mas minha família nunca tinha sido atingida diretamente.
– E agora? – perguntei com angústia. – Minha mãe deve estar desesperada!
– Não se preocupe, nós vamos ajudá-los a reconstruir tudo. Temos os recursos necessários para tanto, mas essa não é a questão principal. Há algo bem mais grave acontecendo.
Achei que Pops tinha ficado maluca. Uma catástrofe atingiu minha cidade e provavelmente minha família não tinha mais onde morar. O que poderia ser mais grave do que isso?
– Vampiros – a palavra escapou de meus lábios sem que eu me desse conta.
– Sim. Você só está viva porque eles a salvaram e a sua família também. E eu só a encontrei porque Christian me avisou onde você estava. Ele salvou sua vida.
De repente, parei de entender o que Pops dizia. Eu precisava de tempo para absorver aquilo tudo. Que inferno! Ela falava em vampiros e Christian, mas eu só via os discos, livros, roupas e móveis que na minha imaginação flutuavam em um mar de lama.
– Meus pais... e Fred...?
– Seu pai está em Green Falls. Sua mãe e irmão estão bem... eles foram resgatados pelos vampiros e levados para o hospital. Como os dois não sabiam como foram parar ali, imagino que tiveram suas lembranças apagadas. Mas todos estão bem. Só você estava desaparecida.
– Pops... eu não estou entendendo. Os Vampiros morderam alguém? Eles não são monstruosos e querem destruir vocês?
– Ninguém foi mordido ou morto até agora e também não consigo entender por que ajudaram você e sua família.
– Você disse... que Christian me salvou?
– Sim. Ele pressentiu que você estaria na mata e me indicou o local. Christian está bem melhor, embora ainda não seja seguro deixá-lo totalmente livre para seguir sua vida. Pode demorar algum tempo até perder todas as características vampirescas que possui.
– Mas... nós nunca nos vimos. Como ele sabia quem eu era?
Pops se calou, na certa pesando se deveria ou não me contar certas coisas, até que começou a explicar:
– Alguns vampiros possuem uma espécie de sexto sentido e conseguem pressentir coisas. Esse é o tipo mais perigoso e mortal de predador que existe. Christian pertence a essa classe. Ele nunca viu você pessoalmente, mas a conhece através de meus pensamentos, de Strideus e de Bill. Não esqueça que o sangue de Bill corre nas veias dele.
– Mas por que Christian iria querer me salvar?
– Ele está se curando, Megan, e sente-se agradecido pelo que temos feito em prol disso. Sabendo o quanto você é querida por todos nós, ajudar a salvá-la foi uma maneira de retribuir o que está recebendo. Christian me disse onde você estava e como havia chegado lá.
– Eu estava nua! Será que os vampiros... será que eles...
Ela soltou uma sonora gargalhada.
– Vocês humanos são incomparáveis! Acabo de dizer que aconteceu uma desgraça em sua cidade e que outra muito pior é iminente e você está preocupada com pudor? Megan, se eles a tivessem usado para saciar desejos sexuais, acredite, você já estaria morta.
– Bom, então por que eu estava nua?
– Na certa porque estava transformada quando a deixaram na floresta. Era obvio que voltando ao normal você estaria nua e morrendo de frio. Por que acha que havia um cobertor sobre seu corpo? E as marcas sem dúvida foram fruto de você ter se debatido em algum momento, mas já devem ter sumido.
Eu me senti uma idiota por não ter percebido isso. Enfiei a cabeça por baixo das cobertas e dei uma olhada em meu corpo. Não havia mais marca alguma.
– Você e sua família foram salvas por vampiros que previram o que aconteceria em Red Leaves, Megan. Eles deliberadamente foram até lá para salvá-los! Como se isso não fosse o suficiente, tiveram o cuidado de deixá-la onde ninguém poderia vê-la transformada ou voltando à forma humana.
Eu a olhei sabendo que minha boca estava aberta e meu olhar transmitia incredulidade.
– Não tem lógica – balbuciei.
– Nenhuma – concordou Pops. – Nenhuma que possamos entender, mas eles não fariam isso a troco de nada. Entende agora por que é tão importante nos contar cada detalhe do que aconteceu aquela noite?
– Bill sabe sobre os vampiros e tudo mais? – perguntei, mudando de assunto.
– Não, ele só sabe da avalanche. Esse tipo de coisa não se fala por telefone.
– Fez bem, mas ele vai ficar furioso quando souber.
– Querida, eu vivo com cinco rovdyrs e tomo conta deles há séculos. Acha mesmo que tenho medo da fúria de Bill? Além do mais, ele não é páreo para mim. Nenhum deles é.
Eu apenas a olhei. Bill já havia me falado sobre a força de Pops, mas achei que ele estava exagerando.
– Quando vou poder ver minha família? – perguntei, procurando resolver uma coisa de cada vez.
– Assim que parar de nevar, eu vou buscar sua mãe e seu irmão. Vocês vão ficar conosco até que tudo se resolva. Seu pai ligou e pediu isso.
– Meu pai? Ele sabe alguma coisa sobre mim?!
– Só o que foi possível lhe contar. De qualquer maneira, ele está mais tranqüilo agora que você está aqui. Tome – disse ela, me passando o celular. – Ligue para ele. Eu e Strideus vamos deixá-la sozinha por alguns instantes. Temos coisas a resolver.
– Dr. Strideus? – chamei.
Ele me olhou com interesse, algo muito raro.
– O remédio que o senhor estava me dando... eu ia precisar de mais de qualquer forma.
– Não apenas de mais, Megan, mas de doses mais fortes, ao menos até resolvermos esta situação. Em algumas horas ele estará pronto. Fique tranquila, vamos cuidar de você.
Falei com meu pai e o tranqüilizei quanto ao meu estado. Falei também com minha avó que, claro, perguntou por Bill, mas ficou feliz de saber que eu estava bem. Devo ter adormecido logo em seguida porque sinceramente não me lembro de mais nada.
Sonhei que havia um exército de homens enormes, de cabelos quase brancos, marchando em direção a Red Leaves e que alguém gritava “corram para as colinas, corram para as colinas!”. Só que em Red Leaves não havia colina alguma...

* * *

Algo me dizia que não deveríamos ir a L.A. Para o inferno com as entrevistas e shows, mas a banda não era só minha, era de todos nós, e Pops foi firme quando afirmou que se não fossemos,s ela não seria mais nossa produtora.
Por anos, a banda, que havia sido minha maior felicidade, agora se transformava em um estorvo; eu precisava urgentemente equilibrar as coisas se quisesse ter ao menos uma chance de vida normal com Megan. “Normal” parece algo absurdo quando se é um rovdyr, mas eu devia isso a ela, após tudo que a havia feito passar. E eu sabia que o pior ainda estava por vir.
Megan estava se transformando, contaminada por meu sangue, que supostamente deveria lhe salvar a vida; e eu, covarde, não conseguia dizer a verdade com medo de perdê-la.
Havia sempre algo em meu coração gritando que cedo ou tarde tudo seria demais para ela e que a mulher da minha vida me deixaria por vontade própria. Ela havia superado a história macabra que lhe contamos, o ataque do vampiro, a imensa diferença de idade e de vida entre nós, mas será que superaria o fato de que dali em diante não era mais humana?
Estávamos pousando em Los Angeles quando Pops ligou avisando sobre a avalanche. Megan estava desaparecida. Quase enlouqueci. Avisei que íamos voltar, mas não tínhamos como chegar imediatamente a Red Leaves. Aquele vôo já havia sido um milagre. Conseguir outro de volta seria impossível. E mesmo para nós, a distância era enorme. Levaríamos dias para voltar.
Passei horas irascível, andando de um lado para o outro, ligando para Pops a cada cinco minutos, até as torres de retransmissão deixaram de funcionar. O contato telepático com Megan estava impossível: toda vez que me concentrava nela, surgia em minha mente a imagem de Red Leaves totalmente às escuras e o som de uma grande avalanche se aproximando. Não conseguia acreditar que depois de tudo, a natureza fosse levá-la de mim. Não! Tudo menos perdê-la outra vez!
Então, durante a madrugada, Pops ligou avisando que Megan já se encontrava em casa, e que tudo estava bem. Os detalhes, disse ela, eu saberia quando fosse possível. Não gostei da voz de Pops. Senti que ela me escondia alguma coisa, que algo muito, muito ruim estava acontecendo e que eu já começara a pagar o preço da felicidade vivida em Nova York.
Passei horas ligando para casa até que finalmente consegui falar com Megan! Ouvi-la chorar partiu meu coração. Nunca desejei tanto poder abraçá-la e afagar seus cabelos, dizer que tudo ficaria bem, encantá-la com minha voz e fazê-la passear pelas estrelas, como ela tantas vezes me dissera que acontecia!
Deus, como eu amava aquela menina! Como eu amava aquela mulher! Sacrificaria minha vida pela sua sem pestanejar, colocaria fogo do mundo, faria qualquer coisa apenas para que ela estivesse bem e feliz.
Dois dias e estaríamos de volta. Dois dias e eu poderia cobri-la de carinhos e mimos, recompensá-la por tudo o que havia passado. Dois dias que demorariam séculos para passar, tal a minha ansiedade.
Já havia começado a fazer planos para reconstruir a casa de sua família, imaginando que Frank não aceitaria nada além do que havia perdido, mas ainda assim podíamos fazer algumas melhorias, modernizar algumas coisas. Tudo para que fossem mais felizes. Tudo para que Megan sorrisse mais.
Tudo por ela. Sempre. Afinal, já não havia sido assim antes?
Bill

Fonte:http://www.lauraelias.com.br/lua_negra_33.html

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Saga Red Kings: Crepúsculo Vermelho

Boa tarde!!!
Primeiro Capitulo do livro Crepúsculo Vermelho, um livro que eu com certeza já li e seria ótimo se vocês também lessem.


Capítulo 1 – Só mais um dia

Havia algo no ar aquela manhã. Uma atmosfera de festa, de véspera de férias, de inicio de verão. Tudo estava mais agitado que o normal, as pessoas pareciam empolgadas, elétricas. Mas talvez fosse apenas eu que ainda não estivesse totalmente acordada. Como sempre.
Na verdade, ainda era meio de outono e não havia nada de empolgante naquela manhã gelada, nada de especial no ar. Era só mais um dia comum como todos os outros. Sem graça. Sem cor.
Ultimamente todos os meus dias estavam assim: sem graça e sem cor, uma mistura de Another Day do Paul McCartney com Every Day is Exactly the Same do Nine Inch Nails, se é que isso era possível.
Olhei desorientada para o prédio da escola e dei um tapa em minha cabeça, com a esperança que ela pegasse no tranco e me ajudasse a acordar. Não podia mais continuar dormindo nas aulas como vinha acontecendo. Isso ia acabar me colocando em sérios problemas. No colégio onde eu estudava era conduta normal chamar os pais por qualquer coisa e eu já começa a estranhar o fato de ninguém ter ligado para minha casa. Ainda.
- Oi, Meg! Você vai comigo hoje, né? – perguntou Sarah surgindo do nada com expressão ansiosa, enquanto segurava meu braço com mais força do que eu gostaria.
Olhei para ela confusa, me perguntando de onde Sarah havia aparecido. Ir aonde? Fazer o quê?
- Ah, não! Você esqueceu? – ela me examinou atentamente - Não vá me dizer que já marcou outra coisa para hoje!
Sarah parecia realmente desapontada comigo e tive a impressão que uma sombra de raiva passou por seu olhar. Levantei as sobrancelhas em resposta, sem saber o que dizer. Nós havíamos marcado alguma coisa para hoje? Minha cabeça continuava dormindo o sono dos justos e eu não sabia o que dizer.
- Megan Grey, você quer fazer o favor de me responder?
- Bom... Aonde é que a gente ia mesmo? – perguntei com voz sumida.
Sarah suspirou, irritada.
- Comprar os ingressos do show! Você nunca se lembra de nada?
- Ah! Claro... Vamos sim. – respondi.
Minha mente havia acordado só um pouquinho. O suficiente para me lembrar do que ela estava falando
e retornando ao sono profundo logo em seguida.
- O que está havendo com você? De uns tempos pra cá está sempre assim, parece um zumbi! – minha amiga reclamou, chateada.
- Não tenho dormido bem...
- Ainda está com isso? Continua acordando de madrugada?
- No mesmo horário, religiosamente. Já estou até me acostumando, sabia?
- Falou com sua mãe? Você precisa ir ao médico, isso não é normal! – Sarah fez cara de quem ia continuar seu discurso sobre como a privação de sono faz mal a saúde, mas algo distraiu sua atenção e ela emendou outro assunto, esquecendo minhas noites insones.
– Olha lá a Britt! Gente, esta menina é maluca? – perguntou, sem esperar que eu realmente respondesse àquilo.
Acompanhei seu olhar e observei Britney por alguns segundos, sem qualquer interesse. E daí se ela se vestia de preto e usava aquela maquiagem estranha? E daí se ela achava que era legal ser gótica e andar vestida feito um morcego?
- Deixa ela. – respondi com um bocejo.
- Eu deixo, mas vai me dizer que isso não é esquisito?
Dei de ombros, com sono demais para conseguir argumentar.
- Oi gente! – exclamou Alice com um sorriso resplandecente e bochechas vermelhas. Tive a impressão que ela também havia surgido do nada.
- E aí, do que vocês estavam falando? – quis saber Alice.
- Eu estava dizendo pra Megan que acho a Britt maluca demais – Sarah parecia feliz em ter mais alguém que a ajudasse nesta conversa.
Alice esticou os olhos para Britney, avaliando a menina.
- Ela é gótica – comentou como se isso explicasse tudo. – Ou dark, ou algo assim.
- Nós vamos comprar os ingressos do show! Quer ir com a gente?
- Não sei, nem sei se vou ao show. Não gosto tanto assim do Red Kings of Dark Paradise, eles me dão medo embora, claro, eles sejam lindos!
- Os caras são demais, né? – Sarah estava extasiada outra vez. – E aquele vocalista? Gente, o que é aquilo! Ele é ma-ra-vi-lho-so!
Alice riu, concordando e então pareceu se lembrar que eu também estava ali.
- Não sabia que você curtia rock – ela disse, me olhando com simpatia.
Eu abri a boca para responder, mas graças a Deus, Sarah me cortou:
- Curte nada! A Megan vai só pra me fazer companhia.
Eu sorri, mas fiquei irritada. Como ela sabia disso? Claro que éramos amigas, mas Sarah não sabia tudo de mim! E se eu curtisse o Red Kings of Dark Paradise em segredo?
- Ainda não decidi – respondi com uma ponta de desafio na voz – talvez eu vá.
Sarah me olhou de relance com uma expressão esquisita, notando minha irritação
- Você precisa dar um jeito nessa sua insônia. – comentou com desagrado. – Seu humor está um lixo, sabia?
- Você está com insônia? – perguntou Alice.
Eu quis matar a Sarah naquele momento.
- Um pouco – respondi, olhando para meus pés.
- Minha madrasta também – comentou Alice com ar pensativo – Acorda no meio da madrugada e não dorme mais. Nem com remédio.
- É igual à Megan! – Sarah disse, empolgada.
- Faz tempo? – perguntou.
- Algumas semanas – menti, tentando não fazer aquilo parecer importante a ponto de virar o assunto do dia.
- Então é por isso que está com estas olheiras? – Alice me olhou com curiosidade e eu sinceramente quis esganar a Sarah. Mas fui salva deste momento embaraçoso pela chegada da paixão de minhas amigas, Paul Foster.
Ele estava um ano na nossa frente e era amigo do irmão de Sarah, mas sempre parava para conversar um pouco conosco. Eu sabia que Sarah tinha uma paixonite por ele, mas ela tinha uma paixonite por todos os garotos bonitos da escola, então isso não significava muita coisa. Alice, entretanto, gostava mesmo do menino e não havia uma única vez em que não incluísse Paul na conversa, qualquer que fosse o assunto.
- E aí, gente? – Paul sorriu para nós com simpatia.
- Você vai ao show? – perguntou Sarah.
Aquilo já estava me cansando, será que não tinha outro assunto no mundo que não fosse o show daquela banda idiota?
- Vou, até já comprei os ingressos! – ele estava tão animado quanto Sarah e imediatamente começou a falar sobre a banda como se aquilo fosse o grande acontecimento do universo. Alice olhou para os dois com o canto dos olhos.
Eu sorri para ela e decidi que aquele era um bom momento para baixar um pouco o fogo da Sarah.
- Alice também vai – informei com voz neutra.
- É mesmo, Lili? – ele era o único que a chamava de Lili - Que legal, podemos ir todos juntos! E você, Meg?
- Ainda não sei ... – respondi feliz por ver a cara de decepção da Sarah.
- Ah, vai também! Vai ser legal e depois podemos ir comer alguma coisa antes de voltar pra casa.
- Vou pensar – respondi sorrindo.
- Ih! Olha lá o Chuck! A gente se fala depois, meninas. – disse Paul correndo para encontrar o amigo.
Alice suspirou ao vê-lo partir.
- Ele é lindo – suspirou novamente – Olha aquele cabelo! Gente, que menino perfeito!
- Ele é bonito, sim – concordei. – E boa gente também. Vocês vão fazer um lindo par.
Sarah me fuzilou com os olhos e eu senti uma agradável sensação de vingança no peito. Quem sabe ela pensasse duas vezes antes de expor minha vida para os outros na próxima vez?
- Ele nem me nota – a voz de Alice parecia desalentada.
- Como não, “Lili”? – eu estava brincando com ela, mas o efeito foi outro.
- Você acha mesmo que ele sabe que eu existo? Que ele me vê assim?
- Quem sabe? – respondi, evitando o olhar de Sarah.
- Vamos entrar, está na hora – Sarah virou-se e nós a seguimos.
O sinal estridente do inicio das aulas soava e eu prenunciava longas horas pela frente, lutando para manter meus olhos abertos. Por mais irritada que estivesse com Sarah, sabia que ela tinha razão, eu devia procurar um médico para ver o que estava acontecendo comigo. Não era normal ter insônia daquele jeito, ainda mais pra mim, que sempre dormi mais que a cama. Mas ir ao médico significava contar à minha mãe o que estava havendo e passar por um interrogatório longo e repetitivo que de alguma forma iria incluir as palavras “sexo” e “drogas” várias vezes. Sinceramente? Preferia ficar sem dormir.
Como já estava se tornando rotina, eu cochilei nas duas primeiras aulas e acordei no meio da terceira com a professora de História ao meu lado e a classe toda gargalhando. Inferno!
- A noite foi feita para dormir sabia, senhorita Grey? – perguntou ela com ar sarcástico.
Eu suspirei e mantive a cabeça baixa.
- Desculpe – balbuciei com o rosto vermelho.
- Muito bem, agora que já está desperta, talvez possa responder à minha pergunta...
- Desculpe, eu não ouvi...
- Nós estamos falando sobre a Revolução Francesa e suas influências no movimento de independência dos Estados Unidos.
Olhei para ela com uma súplica no olhar e ela pareceu entender.
- Vá passar uma água no rosto, Megan e volte logo, certo? – sussurrou com olhar consternado e então pediu que Deborah Petterson respondesse à questão.
Eu saí da sala sentindo todos os olhos em mim e rezei para que Sarah mantivesse a boca fechada. Não queria que todo mundo soubesse que eu não estava dormindo direito.
Enquanto caminhava pelos corredores vazios em direção ao banheiro feminino, analisei pela milionésima vez as razões que motivavam minha insônia e pela milionésima vez não cheguei à conclusão nenhuma.
Aquilo havia começado do nada. Certa noite eu acordei às duas da manhã, levantei, abri a janela e sentei na cama, olhando para a rua vazia, como se esperasse algo ou alguém.
Fiz tudo isso sem me dar conta do que fazia como se estivesse hipnotizada ou em estado de sonambulismo. Só que eu via o que eu estava fazendo, eu só não sabia porque estava fazendo aquilo.
Desde então, todas as noites, o ritual se repetia, até começarem a surgir os primeiros raios de sol. Aí, eu fechava a janela, voltava para a cama e, obviamente, acordava poucas horas depois, com o despertador, cansada e abatida.
Já havia tentado deixar a janela aberta quando fosse dormir, mas isso não adiantou. Continuei acordando e sentando na cama, encarando a rua vazia. E embora não tivesse contado à ninguém, havia roubado umas pílulas para dormir do armário do meu pai, mas isso também não fez efeito e eu fiquei com medo de insistir e acabar me viciando naquilo. Durante as primeiras semanas, pesquisei na internet sobre insônia e suas causas, mas nada se aplicava ao meu caso. Eu era um caso anômalo, uma aberração na insônia. Eu ri deste pensamento, divertida. Era um caso raro na medicina, iriam fazer uma conferência sobre mim, iriam me pesquisar nas universidades e eu ficaria conhecida no mundo inteiro como “a garota que não dorme”. Talvez fosse parar no Discovery Chanel. Ou no Nat Geo.
Joguei uma grande quantidade de água gelada no rosto e fiquei encarando o espelho, analisando minhas olheiras, o ar cansado, aparência abatida. Não que eu fosse um exemplo de vigor e saúde antes de tudo começar, mas com certeza tinha uma aparência mais saudável, mais viva. Mostrei a língua para mim mesma e voltei para a aula, me condicionando a permanecer acordada.
“Não vou dormir, não vou dormir” – repetia mentalmente pelos corredores vazios e silenciosos, caminhando sem pressa com a cabeça baixa, tentando me concentrar em meu propósito.
Não sei se foi a falta de sono ou algum tipo de cansaço visual, mas naquele momento eu tive a nítida impressão de ver um homem alto, de cabelos claros presos em uma trança grossa e longa, vestindo um sobretudo preto me olhando fixamente.
O susto foi enorme. Meu coração acelerou, minhas pernas bambearam e eu achei que fosse desmaiar, mas de repente, a figura sumiu. “Que beleza, Megan” – suspirei - “Agora deu pra ver coisas também. A garota louca que não dorme” – pensei, modificando um pouco o nome do documentário que seria feito sobre mim.
As aulas passaram normalmente e eu consegui não dormir em nenhuma delas, embora não conseguisse dizer sobre o que eram. Eu sei que escrevi o que devia escrever e respondi o que devia responder, mas minha atenção não estava na sala de aula e sim estava na figura misteriosa que imginava ter visto e no esforço que fazia para empurrar aquela visão para fora da minha mente. Não era nada afinal, apenas uma impressão. Nada que fizesse o dia especial, nada que fosse me arrancar da chatice de uma longa fila de ingressos,. “Isso”! – uma voz soou dentro de mim – “pense nos ingressos e esqueça tudo o mais”. Tentei fixar meu pensamento no Red e no que eu sabia sobre eles. Comecei a fazer a lista mentalmente:
1. Seis integrantes
2. Som é uma mistura de metal pesado com hard e uns toque de melódico.
3. Ótimos solos de guitarra e bateria.
4. Todos lindos. Ao menos na opinião da Sarah, eu não me lembrava de nenhum deles.
5. Banda nova, tinha aparecido fazia pouco tempo e já era a segunda em vendagem de cd. Fãs alucinados e fanáticos.
6. O logotipo da banda era uma bandeira vermelha, com um rosto de pantera em primeiro plano e quatro panteras ao fundo. A primeira pantera estava de boca aberta e os longos caninos afiados pareciam prontos para morder o primeiro que ousasse desafiá-los. Podia não ser muito bonito, mas a arte era impressionantemente bem feita. E eu podia dizer isso, já que panteras eram minha paixão. Tinha um pôster enorme de uma pantera negra de olhos azuis cristalinos em cima da minha cama, que me fazia companhia nas longas horas de insônia.
- O que mais, o que mais? – vasculhei minha mente em busca detalhes, mas não havia nenhum. Então tentei me esforçar para lembrar os rostos dos integrantes, mas foi impossível. De qualquer forma o exercício serviu à sua finalidade e eu desviara minha atenção da visão no corredor.
Notei, durante a aula de Inglês, que Sarah me observava com atenção e sorri imaginando o que ela diria se soubesse o que eu estava pensando. Eu não ia dar este gostinho a ela. Não. Meus delírios eram apenas meus, assim como minha insônia era apenas minha.
Na hora do almoço, enquanto eu olhava para a maçã em minhas mãos, decidindo se valia a pena mordê-la, o assunto variou entre a beleza de Paul, a esquisitice de Britt e sua turma, meu flagra na aula de História e o show do Red Kings.
Não apenas Sarah, mas um muitos alunos estavam empolgados com isso. Alice sorriu para mim, parecendo tão cheia quanto eu daquele falatório todo e nós duas começamos a conversar, ignorando a histeria geral.
- Você vai com a gente comprar os ingressos? – perguntei com um suspiro cansado.
- Acho que sim. Não quero perder a oportunidade de ir ao show, se o Paul vai estar lá.
- Você gosta mesmo dele...
- É, gosto sim – ela tinha um olhar sonhador. – Mas sei que minhas chances são poucas.
- Por que ele é mais velho?
- Não. Porque não sou como as outras meninas, você sabe, não fico pulando no pescoço dele e tudo mais. – a voz dela era pensativa como se falasse mais para si mesma do que pra mim. – Talvez se eu fosse mais atirada, ou mais bonita...
- Não acho que gostar tem a ver com beleza. Se fosse assim o que seria das feias? E você é linda, Alice. Tem o sorriso mais encantador que eu já vi.
- É... Mas um pouco mais de peito não me faria mal – observou.
Eu ri e concordei com a cabeça.
- E você? Gosta de alguém? – Alice tinha um jeito suave de perguntar as coisas. Era fácil falar com ela. Não havia qualquer traço de interesse fofoqueiro em sua voz, ela apenas perguntava com delicadeza natural.
Eu neguei com a cabeça, fazendo um biquinho torto.
- Mas já gostou?
- Bom, quando eu tinha sete anos eu gostava de um menino da minha sala, isso conta? – perguntei rindo.
- Acho que não – ela disse divertida. - Esse negócio de gostar é esquisito, acontece sem que a gente queira. Quando você vê, já está gostando. Mas também não é uma lei ou algo assim. Não tem que gostar de alguém e vai ver ainda não chegou o garoto que vai fazer você se apaixonar.
Eu sorri, mas não quis esticar o assunto. Não quis dizer que achava que eu era à prova de amor, que não me via gostando de um menino, nem pensando em alguém o dia todo e muito menos tendo um momento romântico com alguém. Não parecia certo pra mim, mas eu não sabia explicar o porquê. Simplesmente não me encaixava nisso.
- Pelo menos você não é como certas pessoas que ficam gostando de todo mundo...
Eu sabia que Alice estava falando da Sarah e ri do comentário.
- Acho que se isso algum dia acontecer comigo – observei pensativa – vai ser pra sempre. Não me vejo pulando de namorado o tempo todo.
- Muito romântica – ela sorria seu sorriso luminoso e isso me fez bem.
- Não sou, não! Por isso acho que se me apaixonar vai ser pra valer, porque não faço o gênero Romeu e Julieta. Aliás, acho esta história um saco. Com todo respeito ao autor, é claro.
- Será mesmo? Acho que só não conheceu a pessoa certa.
- Nem sei se acredito em pessoa certa – disse com ar de dúvida. – Acho que o amor é um acaso inconsciente, sei lá. Uma coisa randômica.
- Então não acredita em almas gêmeas, amor à primeira vista, coisa predestinada?
Fiz uma careta pra ela e ri.
- Eu acredito! – disse Sarah, metendo-se na conversa.
Imaginei há quanto tempo ela estava ouvindo. Por alguma razão eu estava implicando com Sarah aquela manhã e isso não era justo. Ela era minha amiga mais antiga e eu estava rabugenta demais. Sabia disso, mas simplesmente não conseguia evitar. Respirei fundo para melhorar meu humor e levantei a cabeça em direção às janelas do refeitório.
E então eu o vi. Desta vez não era uma impressão. Ele estava parado me olhando e eu pude vê-lo com nitidez. Era muito alto e forte, tinha olhos de cor indefinida, cabelos entre o loiro e o ruivo, grossos e brilhantes, presos em uma longa trança que caía até a cintura. Lentamente ele sorriu e levou o indicador até os lábios, pedindo silêncio.
Meu coração disparou e minhas mãos começaram a suar frio. A adrenalina corria solta em meu sangue, meu corpo tremia incontrolavelmente e eu senti meus olhos congelarem, arregalados. Eu não respirava. Todos os sintomas de pavor estavam presentes, mas eu não estava com medo, como se meu corpo reagisse de um jeito e minha mente de outra.
Quem era aquele homem? Era de verdade, era uma alucinação, um fantasma, um demônio? Por alguma estranha razão pensei que ele estava aparecendo para a pessoa errada, quem deveria vê-lo era Britt e não eu. Tudo isso não durou um segundo, acho.
- Megan! O que foi? – Sarah agarrou meu pulso e o largou imediatamente como se tivesse levado um choque.
Eu estava congelada, catatônica. “Pisque!” – ordenei a mim mesma, evitando tornar aquilo pior do que já era. Demorei o que me pareceu uma eternidade para consegui descer e subi as pálpebras e respirar novamente.
- Meu Deus, Megan, o que aconteceu? – Sarah estava assustada.
Eu tentei balbuciar alguma coisa, mas não consegui encontrar nada para dizer.
- Falta de sono – Alice me salvou com apenas três palavras. Nunca me senti tão agradecida a alguém como naquele momento.
- Foi isso mesmo, Meg? – A preocupação de Sarah era evidente.
Eu assenti com a cabeça e olhei de relance para Alice. Ela também parecia preocupada, mais do que suas palavras diziam.
- Eu estou bem – murmurei envergonhada. Não ousava erguer os olhos para nossos colegas de mesa, mas logo percebi que nenhum deles notara meu momento, entretidos que estavam com as fofocas habituais.
- Talvez seja melhor você ir para casa – Sarah não desgrudava os olhos de mim – Quer que peça para chamar sua mãe?
- Não! – A voz saiu mais alta do que eu pretendia e vários pares de olhos se voltaram para mim naquele instante – Não precisa, eu estou bem, juro! – eu estava quase suplicando.
Sarah suspirou ruidosamente.
- Mas você vai prometer que vai dormir cedo hoje.
- Eu prometo. Assim que voltarmos da loja, eu vou dormir. Mesmo!
- É melhor você ir direto para casa – observou Alice – eu compro seu ingresso caso você queira.
- Eu estou bem, não foi nada.
- Você está branca feito um fantasma! – Sarah ainda me olhava com preocupação e aquilo me incomodava mais que tudo, mas não deixava de ser engraçado. Eu, feito um fantasma. E se ela soubesse?
- Eu estou bem e depois eu quero ir com vocês – insisti.
- Ok, mas vou ficar colada em você até o final das aulas.
- Ta legal, Sarah, mas eu juro que estou bem, já passou, foi só falta de sono como disse a Alice.
Não foi fácil, mas consegui convencer as duas de que eu estava bem e a mim mesma de que aquilo não era nada, apenas privação de sono. Durante o resto das aulas mantive minha cabeça concentrada na matéria, não me permitindo qualquer pensamento que não fosse sobre o assunto em questão.
Quando saímos da escola demos de cara com Paul e Greg, o irmão mais velho de Sarah, que esperavam no estacionamento para nos dar carona.
- Nós vamos comprar os ingressos do show. – avisou Sarah.
Então, virando-se para mim ela perguntou em voz mais baixa:
- Tem certeza?
- Absoluta – respondi com firmeza.
Quinze minutos depois me arrependi profundamente de não ter pegado a deixa e ido direto pra casa. A fila para os ingressos ocupava certa de três quarteirões e o dia não estava lá muito convidativo para se ficar fora de um lugar quente e abrigado. Cinza e pesado, com chuva fina e vento gelado, pedia um sofá e um filme, um chá ou um chocolate, não uma fila quilométrica cheia de fãs alucinados vestidos como seus ídolos.
Alice me mandou um olhar enviesado, cheio de duvidas, mas então já era tarde. Greg nos despejou ali, nos deixando incumbidas de comprar o ingressos para ele e saiu em disparada.
Tédio, tédio e tédio. E frio, muito frio.
A fila andava lentamente e depois de meia hora parecia que não tínhamos saído do lugar, embora houvesse, então, pelo menos mais umas cinqüenta pessoas atrás de nós.
Nem mesmo Sarah, que parecia uma matraca, tinha mais assunto. Alice me olhava às vezes e eu podia ver que ela estava tão aborrecida quanto eu, mas havia mais em seu olhar. Ela estava me vigiando, temendo que a cena daquela manhã se repetisse.
Eu suspirei e comecei a divagar. Pensei nas lições que tinha fazer e depois em que livro iria ler esta noite, durante e madrugada. Achei que seria bom comprar um cd da banda, já que ia ao show, ao menos para conhecer melhor as musicas, uma vez que não sabia nenhuma. Depois pensei que tinha prometido a Fred – meu irmão mais novo – que iria ajudá-lo com seu trabalho de Ciências e que precisava pregar um botão em minha blusa azul. Por fim, nem eu tinha mais no que pensar e minha cabeça aproveitou a brecha para tirar uma soneca.
Tédio, tédio, tédio.
Quando me pareceu que iria dormir em pé na fila, fui arrancada de meu estado catatônica por uma gritaria assustadora e desconexa. Olhei para Alice, confusa. O que havia acontecido?
- São eles! – Sarah estava histérica. – Olha, OLHA!
Eu virei lentamente a cabeça na direção que ela estava apontando e vi uma fila de carros pretos parados do outro lado da rua e vários seguranças postados em torno dos automóveis com expressões que desencorajariam qualquer fã que pensasse em se aproximar. Mas como todo mundo sabe, é preciso muito mais do que uma cara feia para impedir que alguém se aproxime de seus ídolos e a bagunça começou.
Gritos e empurrões, gente tirando foto e gravando a cena pelo celular, choro, histeria. Sarah correu em direção aos carros e eu e Alice nos olhamos, perguntando uma à outra o que fazer.
- A fila está vazia – comentei – Você quer ir lá ou vamos comprar os ingressos?
- Ingressos, definitivamente – ela disse, tão assustada quanto eu.
Corremos em direção à loja, sem perceber que os carros estavam se movimentando novamente e junto com eles a multidão alucinada. Nós entramos o mais rápido que conseguimos e compramos os ingressos e o meu cd. O tumulto começou a ficar mais alto e Alice me puxou para perto dela, me obrigando a olhar para a porta. Os seguranças haviam feito um corredor para os músicos entrarem, provavelmente para autografar os CDs e DVDs da banda. Não foi preciso trocarmos uma palavra sequer, nós duas pensamos a mesma coisa. Disparamos para o lado contrário, nos enfiando entre os corredores de discos, o mais longe possível da entrada da loja e acabamos ficando de costas para os músicos.
O gerente da loja, prevendo que aquela confusão não acabaria bem mandou abrir uma porta lateral e nós escapulimos por ela antes mesmo da banda entrar.
- E a Sarah? – perguntei atordoada quando nos afastamos o suficiente para me sentir segura.
- Deve estar lá dentro. Eu não a vi, você viu?
Eu fiz que não com a cabeça. Estava me sentia péssima e toda aquela confusão só piorava meu estado. Meu corpo estava mole, drenado e minha cabeça parecia o deserto do Saara, uma imensidão vazia e distante, sem qualquer sinal de vida. O que estava havendo comigo, afinal?
- Vá pra casa, Megan, eu espero a Sarah. Você consegue ir sozinha?
Eu concordei sem pestanejar. Sabia que ia cair dura no chão a qualquer momento e não queria que isso acontecesse ali. Já havia dado vexames demais para um dia só.
Sinceramente, não lembro como cheguei em casa, mas acho que havia um ônibus envolvido no processo. A chuva havia engrossado, eu estava molhada e dura de frio, a cabeça vazia, o corpo exausto. Caí na cama e dormi em seguida, ou talvez já estivesse dormindo pelo caminho, não sei dizer. Só sei que mais pontual que um carrilhão inglês, eu acordei às duas da madrugada, zonza, sem saber onde eu estava e como havia chegado ali.
Demorei longos minutos para reconhecer a luz do relógio e outros tantos para me localizar. Minhas roupas estavam secas e meu cabelo parecia um ninho mal construído por um pássaro apressado. Acendi a luz do abajur e pisquei algumas vezes. Havia uma bandeja ao meu lado, com chá frio e dois sanduíches de queijo. Olhei para ela com ternura, imaginando quem a havia deixado lá. Pai, mãe, quem? Por alguma razão meus olhos se encheram de lágrimas e desejei ter cinco anos de novo, para poder me afundar no colo da minha mãe e chorar. Uma angustia profunda e uma dor sem fim se apoderaram do meu peito. Dor de perda, de morte, de solidão. O estranho é que eu parecia conhecer aquilo, não era novidade pra mim. A novidade era a revelação da dor, porque ela sempre estivera ali, escondida, calada, sufocada. A sensação de que alguma coisa estava faltando, de que eu jamais seria completa. E por alguma estranha razão a dor estava escolhendo aquele momento para se revelar por inteiro e eu caí no choro sem dó nem piedade. Depois de algum tempo, não sei dizer quanto, adormeci novamente, vagando num mundo de sonhos confusos, escuros e gastos como as sombras de um passado desbotado.
O misterioso homem de cabelo trançado estava lá e ele corria desesperado, tentando salvar alguém, sem conseguir. Eu podia sentir o desespero dele e eu lhe pedia que se acalmasse, que tudo ficaria bem, mas ele não me ouvia. E novamente sombras tempestuosas caíram sobre as imagens e finalmente eu afundei na névoa densa, vazia e estéril de um sono sem sonhos.

Fonte: crepusculo-vermelho.blogspot.com

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

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Série House of Night 2

Segue-se abaixo toda a coleção da série House of Night







Série House of Night

Oi pessoal!
Não ´podia falar em vampiros sem citar a série House of Night
É uma série incrível e é impossível largar o livro.
Aqui vai uma resenha do primeiro livro da saga, Marcada:

Em The House of Night você vai conhecer um mundo parecido com o nosso,exceto pelo fato de que nele os vampiros sempre existiram e convivem tranquilamente com as pessoas normais. No primeiro volume, Marcada, Zoey, uma garota de 16 anos,acaba de receber uma marca que vai transformar a sua vida por completo.Zoey terá que se afastar de seus amigos e de tudo aquilo que fazia parte da sua vida até então.A menina vai se transformar em vampira e usufruir de poderes que ela nem imaginava possuir. Mas para isso ela precisa suportar o difícil período de transformação,caso contrário morrerá.

A série tem lugar num universo alternativo,mais precisamente em Tulsa, Oklahoma,onde os humanos e os vampiros sempre coexistiram juntos.Zoey Redbird é uma adolescente de 16 anos prestes a tornar-se num vampiro e encontra-se a frequentar a escola House of Night.Aqui irá eventualmente transformar-se ou morrer no processo.Mas a jovem não é igual aos outros e cedo as suas diferenças fazem-na sobressair.Contudo as suas características carregam consigo vantagens mas também responsabilidades que se revelarão fulcrais ao longo da sua jornada…

Então? Curiosos ?Esperem que eu vou publicar muito mais informaçãoes!!!
Beijos...
MCMO

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Novidades

Cheguei!!!
Estreando o mais novo blog sobre livros em geral!!
Gostaria de começar pela incrível saga da queridíssima autora Laura Elias , a  saga Red Kings.



Vou colocar o site da autora para vocês poderem curtir: www.lauraelias.blogspot.com
Ela é uma autora brasileira, e como escreve livros místicos,ganhou toda a minha atenção!!
Nas livraria da cidade já tem os dois primeiros livros da saga : Crepúsculo Vermelho e Lua Negra.
Vale a pena comprar!